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Poemas de minha autoria.

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PAISAGEM VAGA

Dois espantalhos sobre o chão fincados.
Um vestígio remoto de cercados…

E a estrada erra para além da imagem.
Dois vultos no silêncio da paisagem,

no sol que aquece, no vento ligeiro,
de tempo a tempo, janeiro a janeiro,

as vestes rotas abraçando céus
e violetas nas bordas dos chapéus.

Passam folhas perdidas e poeira…
Nuvens… Céu azul… A luz altaneira

do sol na sua linha fugidia…
Vão tomando ares de melancolia

agora, as duas sombras ao luar…
Parecem refletir… Talvez sonhar,

olhando com mistério tudo além...
Uma aponta uma estrela... A outra também ...

E um diálogo de gestos se inicia,
à luz das horas altas… – Nostalgia,

benquerenças sem fim… Murmúrios mil…
E há um encanto, uma mágica sutil,

pondo um requinte de outros mundos no ar…
E cada qual retoma seu lugar,

quando a lua já no horizonte desce...
Como tudo mais que se ignora e esquece

e como tudo o que não mais se pensa.
É a mesma paisagem vaga e imensa.
Paulo Maurício G Silva
Enviado por Paulo Maurício G Silva em 13/01/2020
Alterado em 16/01/2020
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